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Como a Geração Z no setor de alimentação busca novas experiências

O comportamento dos consumidores mudou com velocidade e intensidade nos últimos anos, e a geração Z — nascida entre 1997 e 2012 — está no centro dessa transformação. Conectados desde a infância, esses jovens valorizam saúde mental, bem-estar e autenticidade e, ao mesmo tempo, têm o mundo digital como extensão natural da própria vida. Essa combinação está alterando, de modo visível, os hábitos relacionados a bares e restaurantes.

Segundo levantamento da Mind & Hearts, do grupo HSR Specialist Researchers, realizado com 677 entrevistados, 36% dos jovens da geração Z no Brasil consomem álcool uma vez por mês ou menos — índice superior aos millennials (32%) e à geração X (32%). Além disso, 88% desses jovens estão dispostos a reduzir ou abandonar totalmente o consumo de bebidas alcoólicas. 

Outro estudo, da MindMiners, revela que apenas 45% da geração Z consome álcool, esse é o menor índice desde 1962. A consultoria aponta que esses consumidores priorizam saúde física e mental, clareza e autocontrole, o que está redefinindo o próprio conceito de celebração. Como reflexo, o mercado global de bebidas não alcoólicas deve movimentar cerca de US$ 3,8 trilhões até 2034, impulsionado por categorias como mocktails, kombuchas e drinques funcionais. 

Esse comportamento já impacta o cotidiano de bares. No Grafficca Bar, em Belo Horizonte–MG, a procura por coquetéis sem álcool levou à reformulação de receitas. “Muitos clientes buscavam bebidas criativas e sofisticadas, similares aos coquetéis clássicos, mas sem álcool. Por isso, desenvolvemos novas opções e adaptamos receitas já existentes, garantindo que todos possam aproveitar a experiência”, explica a proprietária Marilda Ribeiro. 

Entre a tela e o prato 

A mudança não se limita ao que se consome, mas também ao modo como isso acontece. A geração Z é marcada pela busca por conveniência e por experiências práticas, mas com significado. Pesquisa divulgada pela Ticket mostra que esse grupo é responsável por 51% dos pedidos de delivery realizados no Brasil. Entre os entrevistados, 46% preferem receber em casa a buscar no local ou utilizar drive-thru.

Os fast foods lideram entre os tipos de culinária escolhidos no delivery, seguidos por comida brasileira, lanches, pizzas e carnes. Mas o maior gasto médio aparece na culinária japonesa, com R$ 84,80 por pedido. A comida mineira figura com o menor valor médio: R$ 49,59.

Esse é um público que valoriza agilidade e controle.

O celular se tornou a principal interface entre cliente e restaurante e isso alterou não só os formatos de atendimento, mas também a própria percepção de qualidade. Estrutura do cardápio, tempo de espera, clareza nas informações e a forma como o restaurante responde nas redes sociais são avaliados com atenção. A jornada começa no digital e, muitas vezes, também termina ali, sem passar pelo espaço físico.

O comportamento digital influencia também a relação com as marcas. No mesmo estudo, a Ticket mostra que o Instagram é a principal plataforma de influência para as decisões de consumo da geração Z, seguido pelo Google, que cresce como ferramenta de busca por estabelecimentos. O processo de escolha passa por avaliações, comentários e reputação digital — fatores que pesam mais do que propaganda tradicional.

Além disso, muitos desses jovens buscam locais e experiências que não se baseiam necessariamente no consumo de álcool. Espaços alternativos, como cafés com jogos de tabuleiro, bares com fliperamas e ambientes voltados para experiências sensoriais ganham cada vez mais espaço.

No Japão, nos Estados Unidos e em cidades brasileiras, surgem casas que combinam gastronomia com atividades como RPG, pintura, leitura e jogos analógicos — atividades que resgatam o convívio, mas em um ritmo mais tranquilo e menos ruidoso.

Essa reconfiguração também afeta os programas de fidelidade. Os consumidores da geração Z demonstram preferência por recompensas personalizadas, conectadas aos seus interesses e entregues de forma prática. Ainda que tenham um poder de compra crescente, o custo-benefício segue como fator decisivo — desde que atrelado a propósito e autenticidade.

O horário muda, o encontro muda e o mercado também

O deslocamento do consumo para outros horários é outro traço marcante. Dados do mercado britânico mostram que 75% das casas noturnas do Reino Unido fecharam nas últimas duas décadas. Em Berlim, a boate Watergate, ícone da cena eletrônica, encerrou as atividades após 22 anos. A madrugada, que por muito tempo foi associada à vida jovem, parece dar lugar a outras formas de socialização.

Segundo a empresa Statista, mais de 60% dos casais formados em 2024 se conheceram online — contra menos de 5% que tiveram o primeiro encontro em bares ou restaurantes. A socialização acontece, cada vez mais, fora da pista e dentro da tela. Em vez da madrugada, ganham força os brunches, os cafés da manhã entre amigos e os encontros no fim da tarde. 

Essa mudança de ritmo também impacta a atmosfera dos negócios. A experiência deixa de ser centrada no entretenimento noturno e passa a incluir bem-estar, pertencimento e conexão emocional com o espaço. A comida passa a ter papel de mediação social e não de espetáculo.

Essas transformações não significam perda de interesse por experiências gastronômicas ou sociais, mas apenas um redirecionamento. A diversão não desaparece; ela se transforma. Para bares e restaurantes, esse deslocamento levanta questões importantes: como adaptar os horários de funcionamento? Como explorar melhor os momentos diurnos e as experiências de convívio que não dependem do álcool?

São reflexões que não envolvem apenas cardápio e operação, mas também posicionamento, escuta ativa e compromisso com novas formas de presença. A geração Z não está apenas consumindo, ela está moldando os padrões do que será, daqui em diante, a experiência de sair para comer, beber e se encontrar.

Fonte: https://bareserestaurantes.com.br/

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